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20 novembro 2017

Mães Negras e nossa Luta pela vida dos nossos filhos



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Eu sei que o post que eu prometi é sobre a minha experiência na manifestação contra a PEC 181. É um post importante e prometo que farei,mas no momento preciso fazer esse post. Esse post é direcionado para as mães de filhos negros e para as mães negras. Não é um post de diálogo com os brancos. Não que os brancos não possam ler,mas entendam que é um desabafo, não uma justificativa pelo dia de hoje, não é pára tentar fazer vocês entenderem o que é ser negra, não. Não porque eu não preciso que vocês entendam, apenas que respeitem. Nem tudo é sobre vocês então aceitem que o mundo vai ser protagonizado por outras pessoas que não são você ou como você... Axé.

Vou começar com um relato simples. Meus filhos são negros de pele mais clara do que a do pai deles. Meu esposo quando esta em um lugar com eles sem mim tem que ouvir todos os tipos de piadas possíveis e olhares atravessados.

As pessoas estão questionando o relato de vida da Tais Araújo. Mais uma vez o mundo esta oprimindo uma mulher negra relatando sobre seus medos com relação ao seus filhos. Tais passou, pelo que muitas de nós já passamos, pelo reconhecimento do nosso verdadeiro eu e da nossa beleza negra. Ainda mais ela que trabalhava em uma mídia que tentou embranquece-la a todo custo. Porém a mesma escolheu um homem negro para ser seu companheiro, para ser seu companheiro de luta, alguém que como ela sabia o que era ser negro em uma mídia toda formado por brancos e para brancos. Hoje Tais e Lazaro procuram ser exemplo e referencia para negros e principalmente negros no mundo artístico. Porém a fama não tirou o medo que acompanha todas nós mães. Que nossos filhos sejam abordados por um policial, seja incrimidanado ou confundido com bandido por puro racismo.

Tive que ler hj que o relato dela foi exagero. Nossa que raiva que me deu, logo hoje. No mesmo momento lembrei de uma noticia que vi a muito tempo no SBT onde um jovem que estava brincando com o colega dele em algum bairro que não me lembro qual ,mas sei que foi na Zona Sul do RJ ( bairro nobre da elite carioca). Um dos meninos que estavam brincando de lutinha um com o outro era branco e o outro era negro, amigos, ambos de escola pública. Quando um senhor viu o caso, foi agredir um dos meninos por achar que ele estava assaltando o outro jovem. Adivinha em quem ele bateu, no branco ou no negro? Mesmo depois que uma das crianças estava defendendo a outra dizendo que não foi nada daquilo o cara não parou de bater no moleque. Foi filmado por câmeras de lojas perto. O rosto do cara aparece bem no vídeo. A mãe do jovem foi na delegacia e a outra mãe foi como testemunha de que não tava acontecendo nada (porque a vitima tem que provar que foi agredida e que é inocente??Vai entender não é) A mãe teve que levar a comprovação de presença do aluno pra mostrar que ele não era  "do crime" como a mesma mãe falou na tv . Porque é isso que é destinado a mãe de uma criança negra. Provar que seu filho recebeu uma agressão por ser confundido com bandido. É isso. Não é exagero da Thais Araujo. Meu esposo quando era mais novo, junto com o amigo dele que era criado como irmão dele estavam andando na rua com a minha sogra. Minha sogra é branca e estava andando na frente. Até que um homem a parou e disse que dois "meliantes" a estavam seguindo pra ela tomar cuidado. Adivinha quem era os dois meliantes?

Dizer que é exagero, que é mimi é muita maldade e em sí já é um racismo com a vivencia diária do nosso povo negro. Já tive mulher branca me questionando como faço pra lavar o meu cabelo e o cabelo dos meus filhos. Escuto constantemente o questionamento de quando vou cortar o cabelo do meu filho por ser difícil de pentear. Sou eu mãe e mulher negra que andando na rua tenho mais medo da policia do que dos bandidos.  Eu junto com outras três mulheres tivemos que defender um homem que estava vendendo água de um  cara do Centro Presente que chamava ele de lixo e nos chamou de piranhas. Só com a mina (branca)  que ele foi um pouco mais polido. Todos os casos de abuso policial que aparecem na Tv e de desaparecimento de pessoas devido a polícia são de pessoas negras.O rio de Janeiro é o estado onde a policia é a que mais mata. NOVE EM CADA DEZ PESSOAS MORTAS POR POLICIAS NO RJ SÃO NEGROS OU PARDOS.A CADA 23 MINUTOS MORRE UM JOVEM NEGRO NO BRASIL. Não é vitimismo é luta, é grito de desespero para que o mundo veja a nossa batalha diária e ao mesmo tempo um aviso que não vamos tolerar mais esse tipo de abuso.

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Eu mando minha filha para escola municipal e tenho todo uma preocupação. Não que eu quisesse levar ela desarrumada,mas a preocupação por ela estar impecável é muito grande, para ela não ser julgada por ser negra e estudante da rede pública como uma menina onde os pais não cuidam e tudo mais. Além da intolerância religiosa que já tive que ouvir de outras mães no passeio da escola " Eu vou ensinar o certo para minha filha,mas se ela quiser ser macumbeira é opção dela" . Teve mãe que me disse que eu tenho muita coragem em fazer tranças na minha filha e levar ela para a escola.

Eu vivo com o desafio de ensinar meus filhos, contra os esteriótipos, de que eles que decidem o que querem ser da vida, não os outros. Que eles descendem de reis e rainhas e que nosso povo não É escravo de ninguém e sim que ele FOI escravizado e esse foi, foi por alguém que tem uma cor especifica. "Ahh mas foi a muito tempo, os brancos hoje não são assim." Tanto são que não é a toa que o meu povo negro é marginalizado e que hoje a maioria das pessoas que estão nas prisões e nas favelas é negro ou "pardo". O racismo esta em cada esquina, em cada igreja, em cada escola, em cada emprego e em cada universidade e em todas instituições, pois as instituições ainda hoje são formadas por brancos para o povo branco. Mesmo com esse quadro muito desigual eu (assim como você~e mãe que esta lendo) me recuso a aceitar que o que empurram pro meus filhos é que eles vão trabalhar servindo brancos ou roubando brancos.

Não venha agora você homem branco da elite me dizer que a minha preocupação de mãe, que a minha luta de mulher negra e o sofrimento que a sociedade faz comigo e minhas irmãs é mimimi. Mimi é o seu que agora esta percebendo que as coisas estão mudando, não tão rápido como gostaríamos,mas mesmo assim agora professor, médico, advogado e o que for, vai ter que engolir seu racismo sim e vai ter que presenciar caladinho a vitória do povo preto e vai ter que dividi carteira na UNIVERSIDADE sim. Esses espaços são nosso por direito. Nos trouxeram contra a nossa vontade agora chora porque saímos das senzalas e não vamos aturar mais nem um abuso, nenhuma piadinha e mais nada do seu racismo.

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Então mães vamos empoderar nossos filhos. Sei que é uma batalha diária,mas você não tá sozinha, tem muitas outras mães que enfrentam isso igual você. Vamos nos unir e abrigar umas as outras. Tenta empoderar seu filho e o coleguinha dele que a mãe tem que viver no corre de dois empregos.Vamos juntas.

31 março 2017

Solidão Materna.

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 Acho que somente com a frase anterior milhões de mães já se identificaram. Não eu não vou falar de mães que são solteiras, porque essa solidão materna não afeta somente mães solteiras, isso afeta a todas nós. Isso acontece somente porque o machismo criou essa ilusão que somente as mulheres são responsáveis pelo cuidados infantis. Isso é facilmente comprovado quando analisamos uma escola infantil ou uma creche, percebemos que todos os funcionários, ou todas as professoras e auxiliares são do sexo feminino. Também podemos perceber quando analisamos a enfermaria pediátrica de um hospital, na verdade enfermeiras em geral a grande maioria são do sexo feminino, pois a tarefa de cuidar de alguém é sempre dada a mulher. Quando falamos de maternidade parece que somos a ÚNICA responsável e quando somos questionadas sempre ouvimos respostas como “Mas eu não sei, eu não tenho jeito para isso, eu nunca fiz isso, ele gosta mais de você ” O que eu me impressiono sempre é que nós antes de ser mãe, nós também não fazemos ideia de como cuidar de uma criança, uma criança é um ser novo para o pai e para a mãe. Os dois não sabem como vai ser essa experiência até acontecer e como os dois NÃO SABEM os dois tem que simplesmente APRENDER.

Quando uma criança nasce, nós não sabemos nos comunicar com ela, é somente com a convivência que vamos conhecendo aquele novo ser e aquele novo ser vai nos conhecendo e juntos vamos aprendendo e ensinando (não pense que só você que ensina os filhos, nós também aprendemos muito com eles).

 Porém cabe a nós toda a luta de criar um filho, não somente temos que dar banho, trocar fraldas, vestir, dar de comer, brincar e ensinar. A nós é dada a obrigação de criar e nos é tirada a nossa identidade de pessoa e mulher. Quando um homem sai ninguém pergunta com quem ele deixou o filho, ou onde esta o filho dele, muitas vezes nem perguntam da criança. Nós não podemos continuar em ter uma vida nossa sem os filhos. Outro dia a minha amiga me contou que a cunhada dela deixou o filho com a sogra e o cunhado porque ela não tinha tempo, já que a mesma ainda estava trabalhando e estudando, ela ajuda , paga uma pensão, vai a reuniões de escola e pega ele fim de semana sim e fim de semana não. Quando outras pessoas ouviram isso falaram logo que ela é uma mãe desnaturada. Eu quase surtei, disse que é isso que os pais fazem, ela sabe que ele é mais bem cuidado com a sogra e todo o tempo livre ela dedica para o filho, muito mais dedicada que muito pai por ai, até do que o próprio pai que mora coma  criança,mas não dar banho,nem comida,nem leva a médico, quem faz tudo é a avó.

 Nós temos medos, nós nos frustramos, nós também pensamos em desistir de tudo, nós sempre achamos que não vamos dar contas, nós mesmas já nos julgamos muito. Tudo que a gente precisa é de alguém que realmente ajude, alguém que divida as dificuldades com você, alguém que fala que te entende, que troque um pouco de lugar com você, de alguém que te escute e cuide de você, pois adivinhem...txam txam MÃES TAMBÉM FICAM DOENTES.

 Pior é que ninguém cuida da mãe, ninguém ouve as dores da mãe, parece que não podemos ficar doente, que qualquer dor, melancolia ou cansaço é futilidade. A mulher tem que ser a cuidadora de todos e ninguém cuida de nós. Quem nunca ouviu que homem não aguenta uma dorzinha que já parece que vai morrer, eles podem fazer isso, porque tem sempre uma mulher para parar a vida para cuidar dele, nós não temos isso. Nós somos criadas para ter antipatia umas pelas outras, e esse estigma que temos que ser fortes sempre faz nossas mães exigirem isso de nós, também porque a mulher sabe o que sua filha vai passar e a educa com a rigidez que o machismo exige de nós.
 O abandono da mãe começa assim que ela vai entrar em trabalho de parto,onde fala que ela não pode gritar, não pode fazer escândalo, que nós temos que nos “comportar”, como sempre,nós que temos que nos comportar. A dor de um parto segundo alguns cientista equivale a dor de ser queimado vivo, você até pode pedir para outro paciente qualquer se acalmar,mas nunca pedir para “ Cala a Boca” “Na hora de fazer foi bom agora aguenta” “deixa de fazer escândalo”. Hoje , em pleno 2017 o que ainda mais mata as mulheres segundo a ONU ainda é parto.É um momento que você esta tensa, com medo por você e por seu filho. Na verdade começa antes quando o pai ou o médico impede a mulher de ter o parto que ela deseja desde que a mesma não apresente nenhum problema de saúde.






Para mães que estão solteiras e para mulheres periféricas o quadro ainda é mais grave, o desprezo afeta até a busca por emprego, o julgamento é por não ter dinheiro e por não ter “segurado” o marido, como se ser casada fosse mérito.Ser mãe solteira é difícil simplesmente por causa da ideia do machismo de que mulher além dos filhos também precisa cuidar do homem, do marido e se ela não cuida bem dele ela o perde. Ninguém pensa que foi a mulher que termina, ou quando faz essa hipótese tem gente que fala que é porque a mulher quer viver na farra, que é vadia e tudo mais.
 Esse é o quadro, e a única solução que eu vejo esta na nossa união, na defesa de outras irmãs, na nossa luta diária. Nós temos que cuidar umas das outras e temos que lutar para que nossas crias cresçam com essa mentalidade de que somos donas dos nossos corpos e que tanto homens e mulheres são responsáveis por TUDO na educação dos filhos.

 Entrem em coletivos, ajudem as suas irmãs e amigas que tem filhos, faça reuniões no seu coletivo que as mães possam levar as crianças e que as crianças possam fazer parte. E PRINCIPALMENTE nem todas nascemos desconstruídas, todas estamos em desconstrução, todas precisam de ajudas. 

05 março 2017

Carnaval é para curtir com todo mundo e amamentando mesmo.


              *campanha de 2014 defendendo a amamentação em público.


 

Ola Mamães,

Mesmo estando sumida,não achem que esqueci desse espaço não.Eu amo esse espaço, é onde eu coloco mais claramente todos os meus pensamentos sobre maternidade, feminismo e politica. Então não pretendo abandonar esse espaço nunca.

Essa semana tem andado meio movimentada.Carnaval não é mesmo? Eu não sei vocês,mas eu amo carnaval, infelizmente, apesar de conseguir os 4 dias em casa eu só curti um dia de bloquinho. Aproveitei para descansar, e como no meu caso são dois filhotes e ambos pequenos, como também não tenho carro e Jonas ODEIA calor, como também não conseguimos ninguém para ficar com as crianças, preferimos só curtir um bloco bem tranquilo com alguns amigos. Mesmo assim Jojo não gostou, ao contrário de Lívia que amou, se esbaldou, ficou toda enfestada de confete.

Quis fazer esse relato somente pra ilustrar algo que vou falar mais posteriormente. Porém o que eu quero deixar claro que nossos filhos também tem vontades, mesmo sendo pequenos eles entendem o que esta ao seu redor, já tem personalidade e isso tem que ser respeitado. A ideia é tão absurda?Dizer que eles também são pessoas, tem vontades e tem que ser respeitados como indivíduos? Minha Lívia gosta de Carnaval, também pode ser por efeito de que nós gostamos, porém Jonas não gosta.

Entre os aspectos de respeitar a criança entra em entender que o espaço público também pertencem a elas.Obviamente as mesmas não podem entrar em um cinema que tenha limite de idade, porém eu posso sair com os meus filhos para curtir um carnaval. Primeiramente o espaço é público, segundo que o Carnaval é uma manifestação cultural e religiosa, uma festa que comemora a alegria, onde as pessoas se fantasiam, dançam e cantam pelas ruas, quer algo mais próximo do universo infantil da imaginação do que o Carnaval?

Eu odeio o discurso que segregam as crianças e suas mães, sim segregam, pois você priva a criança em conviver em sociedade, em ter lazer. Ir ao cinema, ir a uma lanchonete ou um restaurante entre outros lugares deveria fazer parte do universo de todas as crianças também, porque isso deveria fazer parte de todos. Nós criamos os nossos filhos para o mundo. Nós criamos os nossos filhos para viver em sociedade, para isso ele tem que conviver e circular nos meios públicos e saber como deve agir em cada local, para isso ele vai aprender fazendo.Esse discurso esta totalmente ligado com o machismo, porque você não vai excluir somente a criança,mas também você vai excluir a mãe da vida pública. Já que é sempre a mãe que tem que ser responsável pela segurança e criação

dos filhos, justamente ela que tem que ficar em casa para cuidar deles. Só que se espantem sociedade mães também tem vida social e seus filhos também.

Porque abordei esse assunto. No Carnaval o fotógrafo PH de Noronha tirou uma foto de uma mulher com seu filho(a) no Carnaval, onde a mesma carregava seu bebê em um sling e o mesmo estava amamentando (imagem abaixo).



A imagem em mim causou um furor de alegria, pois também curti o carnaval com Lívia e Jonas e sai também com Lívia bem pequena (menor que o bebe da foto).Me identifiquei de cara com o bebê e a mãe foliões. Porém muitas mulheres e homens não concordaram com a minha opinião, e conseguiram fazer comentários mais que machistas e segregadores. Mulheres alegaram que o peito dela estaria sujo, que na rua o neném ia pegar várias doenças, que a criança ainda era muito pequena (na foto nem é, Lívia saiu com 3 meses no seu primeiro carnaval e não morreu, tomamos o cuidado de passar filtro solar e mamou muito mesmo, antes,pós e durante a festa)chamaram ela de irresponsável e tudo mais. PESSOAS PAREM. Deixa de serem ridículas, curtam a maravilha que é a vida e toda a liberdade que tem nessa foto, onde uma mulher foi curti a alegria de estar viva, com seu filho e com toda a liberdade que cabe aos dois, a mesma colocou o peito para fora e deu todo amor e alimento que a cria precisa. Eu achei essa mulher linda, independente, poderosa. Parem de esse julgamento excessivo com as mães, quem vive com a criança somos nós, e como a grande maioria lida sozinha com a criação dos filhos, então parem de se meter. Entendam, nós vamos criar os nossos filhos segundo a nossa ideologia, nossas vivencias e nossa cultura e religião. Então meus amores vão cuidar das crias de vocês. Se você acha que carnaval não é lugar de criança, não leve seus filhos e cada um segue vivendo. Agora se você acha que mães não devem dar de mamar em local público, fique sabendo que até o Papa Francisco orientou em uma missa que as mães dessem de
mamar para os seus rebentos para que a missa prosseguisse naturalmente ( quem nunca viu uma imagem da Virgem Maria amamentando o menino Jesus?) , mas na verdade se você acha realmente que não podemos amamentar em público eu oriento mesmo que você cale sua bokita e não saia nunca de casa, nós mães agradecemos por menos um idiota na rua.


Atenciosamente,

Siga nossa página Materna e Feminista e comente, amo ouvir o relatos de todas as mães.

Obrigada
 

03 agosto 2016

Guarda Compartilhada 1

Ola mamães e mulheres em geral,

Nossa! UFA! Que saudade de escrever aqui no blog, sabe aquele mês que tudo acontece na sua vida, de bom e de ruim? Pois bem, eis que eu me encontro em uma situação onde celular e computador pifam, juntos, e começo em um emprego novo.Não vou perder mais tempo me explicando...enfim vamos direto ao que interessa.

 Lá estava eu, em um dos milhares grupos de mães feministas que eu tenho. Até que uma postagem me chamou atenção. Não vou dizer o nome do grupo para não reconhecer a moça em questão , para preserva-la, afinal, o grupo a intensão é desabafar com segurança e assim será. Foi nesse grupo que encontrei o post de Janaina, uma mãe que estava desesperada e óbvio que o motivo tem tudo a ver com o machismo. A mesma vivia em um relacionamento abusivo, onde seu marido a humilha, deixa ela e seu filho passarem necessidades, e se ela falar em trabalhar faz escândalo. A mesma não tinha família próximo, ia pedir divórcio,mas tinha medo da “GUARDA COMPARTILHADA”.Ele a ameaçava de tirar o filho dela e tudo que muitas já sabem que eles fazem para nos manter presas a eles. O post dela era um clamor por ajuda e conselho. O que me fez questionar: “O que é guarda compartilhada”.

 O Post de hoje é mais um relato da vida de mães separadas e o fruto da minha breve pesquisa sobre o assunto, então vamos a ele.

 Para algumas mulheres parece simples sair de um relacionamento abusivo,mas situações como essas acontecem com freqüência e espero que com esse post acabe incentivando a mais mulheres a ajudarem a outras mulheres que estão nessa mesma situação. (Vamos a difícil tarefa de ter sororidade).

 Pesquisando descobri que guarda compartilhada é algo recente, vem sendo mais usada desde 2014 (mais nova que minha pequena Lívia), e por ser recente ainda gera muita confusão, não só para os pais,mas também entre juízes e advogados. Muitas pessoas ainda confundem guarda compartilhada com convivência alternada, uma não necessariamente anula a outra,mas o objetivo é que se use mais a guarda compartilhada do que a convivência alternada. Já que pela lei o objetivo da Guarda compartilhada é que a responsabilidade sobre a vida da criança seja dividida igualmente, não necessariamente a residência tenha que alternar, ainda mais porque tem que se respeitar a melhor rotina, a que atende melhor as necessidades dos filhos (escola, brincadeiras, aulas extras e etc). Mesmo que a criança freqüente duas casas, o recomendável é que somente uma dela seja a fixa. Em casos onde os pais morem distantes um do outro, tudo tem que ser levado em conta, principalmente a questões como : Onde a criança já esta acostumada a estudar, quem vai ter mais tempo para ficar com os filhos, onde é mais seguro para eles e etc…

 “Não se deve colocar ênfase na divisão de tempo. O espírito da guarda compartilhada é a coloboração entre os pais” - diz Gisele Groeninga psicanalista e doutora em Direito Civil pela Universidade de São Paulo
Bom. Até aqui esta tudo é bem bonito, mas... e na prática? Como é se separar na real mesmo? Pensando nisso fui em busca de mães para conversar, selecionei 3 mães que se proporam a falar sobre suas experiência.Porém dessas somente Erika vivia uma experiência legalmente de guarda compartilhada. Vamos a elas?

 A primeira entrevista que eu fiz foi com a Mariana. Toda nossa conversa foi por facebook com áudios recheados com aquela doce voz de um menininho de pouco mais de 1 ano no fundo. Eu e Mariana temos muito em comum, ambas temos 25 anos, estamos cursando a faculdade e estávamos ainda quando ficamos grávidas de uma gravidez não planejada, de um relacionamento recente. Nem preciso dizer que logo de cara quis abraça-la e dizer “Sei bem como é irmã”. Não bastasse toda essa dificuldade, e ainda morar com a mãe. Mariana teve depressão pós parto (algo que nenhuma de nós esta imune e muitas sofrem e tem vergonha de dizer por medo do que vão falar) e se separou quando seu filho tinha ainda seis meses, devido a vivência difícil com a família e com a própria depressão.
Imagina o turbilhão de emoções. A mesma diz que entrou em estado de surto e que devido a isso as vezes dificultava o pai de ficar com o filho, mesmo que esse quisesse muito. Mariana me relata a primeira vez que seu filho dormiu na casa do pai, a apreensão que ela ficou, o medo de seu filho precisar dela e tudo mais, quando o pai não respondeu as suas mensagens ela entrou em pânico e acabou gerando um escândalo com ele, que o fez entrar na justiça, e nem comunicou a ela. Quando Mariana percebeu por onde o relacionamento estava caminhando e como isso poderia prejudicar seu filho, ela decidiu pedir ajuda e fazer tratamento. Muita coragem, admirável a consciência que algumas de nós tomamos de nós mesmas quando somos mães.

Esse processo começou em Janeiro. A situação chegou a um nivel tão serio que o pai da criança só queria ver o filho segurado pela lei, para não ficar a merce da vontade dela. Porém ela refletiu, foi conversar com a ex sogra, e hoje, ela ainda não foi chamada pela justiça e estão convivendo bem, onde de sábado para domingo ele passa com o pai e mais um dia alternativo.

 Em todos os três casos as mães relatam a dificuldade em equilibrar o “eu mulher” e o “eu mãe”. Existe algo embutido na sociedade que depois que você se torna mãe, sua personalidade, seu eu, suas vontades morrem. É muito difícil para todas nós nadar contra essa corrente e essas mulheres são um exemplo para mim e para todas nós, como lutar e resistir. O caminho é difícil, por isso temos que nos unir e ajudar.

Noêmi mostra isso claramente quando diz na entrevista “ Depois do divórcio ou separação, a maior dificuldade foi superar o fim e entender que eu era mulher, precisava continuar vivendo.” A mesma relata que passou por muita insegurança, que teve que se impôr como mãe para que seu filho fosse criado de acordo com o que ela acredita ser o melhor para ele. O apoio da família e amigos nesse percurso foi fundamental diz ela: “Quando passei por isso, não tinha coragem de levar adiante por insegurança, dependência emocional e financeira. Minha família e meus amigos me motivaram a ser forte e isso é muito importante”.

A relação de dependência financeira é o principal fator que prende a mulher em um relacionamento, principalmente se desse relacionamento surgem filhos. Hoje o mercado de trabalho é completamente machista (capitalismo + machismo). Para uma mãe, principalmente de criança pequena, o tratamento que o  mercado de trabalho da chega ser cruel depois que você diz que tem filhos (experiência própria). Também se põe na lista a questão de moradia, onde um kitnet, dependendo da região, chega ser 3x o preço do salário mínimo. E com quem deixar? Creche integral não custa menos que 700 reais e uma escolinha pública é quase tão difícil de entrar como um vestibular. Tudo isso pesa muito, porque a mulher mãe não pensa só nela mesma. Nossos filhos são os nossos “My precious” fazemos de tudo pelo bem estar deles. Muitos homens se valem disso, dizem que juiz nenhum vai dar guarda para quem não tem renda. Mas a analise da guarda compartilhada nunca fica somente na questão financeira, ainda mais que independente de com quem ficar a criança, ambos ainda são responsáveis financeiramente e emocionalmente pelos filhos. O que conta é sempre o afetivo, a responsabilidade, rotina e o tempo dos pais. O dado que temos hoje é que a maioria esmagadora dos casos a criança mora com a mãe. Então não deixem isso prender vocês mulheres.

 Voltando para as entrevistas. Vamos falar sobre a Erika de Floripa. Dos casos ela é a única que legalmente vive um caso de guarda compartilhada.

A Erika é mãe de uma menininha de 3 anos. Chegou a morar junto com o pai da menina, que assim como a própria Erika, também é universitário. Segundo ela, graças a mesma, que o incentivou a começar a estudar e a largar o emprego, que ela mantinha as despesas da casa sozinha. Depois do fim de um relacionamento conturbado, onde depois da gravidez começaram a surgir muitas brigas e muito pouca ajuda da parte dele com os cuidados da filha, além de uma agresão do mesmo, veio a separação.A mesma tomou um prejuízo financeiro enorme com a venda do carro que era dos dois,mas quem pagou foi basicamente ela.

Após a separação, foi a própria Erika que insistiu pela guarda compartilhada, por querer que sua filha cresça com um pai, ainda presa naquele ideal de que para se ter uma família feliz, tem que se ter um pai e uma mãe. A mesma também não contava que o descaso dele com a própria filha seria tão grande. Ele vive em uma república nada segura, que tem um entra e sai de pessoas desconhecidas sempre, as vezes ele sai e deixa sua filha com terceiros, sem comunicar a Erika. Quando a menina esta com a mãe, o mesmo não liga para saber como ela esta,não vai a reuniões escolares, além de não dar nenhum centavo a mais do que foi acordado, nem que seja uma questão de necessidade, chegando muitas vezes a atrasar o pagamento da pensão.

A minha entrevista com a Erika foi quase um desabafo. Ela tem uma força incrível, pesquisou tudo para pedir guarda compartilhada e sabia mais do que o próprio advogado. Hoje, reúne todas as provas possiveis , grava e-mails e ligações para pedir a guarda unilateral, procura uma advogada mulher para defender o seu caso melhor, já que hoje, o pai diz que não vai desfazer o acordo de guarda compartilhada, diferente do início. Erika me relatou muito mais coisas que são absurdas e horríveis da parte dele, mas para preserva-la, preferi deixar muitas coisas piores em segredo.
Concluindo. Na teoria, a guarda compartilhada serve para pais e mães que REALMENTE amam os filhos e querem viver com eles e ver o seu bem. Para pais conscientes, mas o machismo, os homens inescrupulosos, ainda fazem uso da lei para prender e ameaçar as mulheres.

E o feminismo? Ai surge o meu questionamento. Onde Erika e Mariana me apresentaram dois lados de um mesmo movimento. O mesmo movimento que empodera mulheres e luta pela sua liberdade, também exclui as mães que não se sentem acolhidas e representadas dentro do movimento. Onde Erika, que mora em Floripa, tem uma rotina bastante corrida e não conhece muitos coletivos de mães na sua região e nem se sente acolhida em outros coletivos de não mães, onde sua vivencia não é compreendida inteiramente. Nos mostra uma verdade que ainda precisamos crescer, espalhar nossas ideias, expandir e que ainda estamos caminhando a passos curtos. Que ainda existem inúmeras situações e questionamentos que não estão sendo feitos e que ainda vivemos um movimento muito restrito, tanto em questão social como em regional.

Por fim, fica meu apelo meninas. Ajudem, participem e para as que não são mães, não julguem outras mães, escutem e aprendam. No geral vamos dar força e ser fortes para não viver nunca, independente da situação, um relacionamento abusivo, e caso seja, para ter força para sair (nenhuma de nós esta imune).

Caso vocês precisem de ajuda, conheço vários grupos de ajuda mutua entre mães, só não vou dizer o nome assim em aberto,para evitar hates machistas,mas podem deixar no comentários que eu respondo por e-mail.

Esse post dedico para as minhas 3 novas irmãs (Mariana, Noêmia e Erika) e para a inspiração desse post, que eu perdi o contato, Janaína. Obrigada, vocês me ensinaram muito, desculpem a demora e se eu não consegui relatar o que vocês vivem com a grandeza que vocês merecem. Muito obrigada.

Beijos meninas e comentem. Prometo postar mais recorrente (já tem outros post escritos) e vou relatar depois como esta minha rotina agora. Até a próxima.

24 julho 2016

Vamos criar crianças Livres


Ola mães,
Então...hoje ainda não vai ser o texto que eu prometi sobre guarda compartilhada,mas podem deixar que ele já foi escrito, só estou esperando a avaliação das mães que eu entrevistei para saber se aprovam ou não.

Hoje estou aqui para falar de outro assunto. Estava eu hoje indo trabalhar (sim trabalho no domingo, o bom que a internet é liberada) e estava linda e bonita no trem, sentada ao lado de uma mãe com uma filha já grandinha. Eu estava encantada com a criança, que tinha cachos per-fei-tos, estava amando, me segurando para não cutucar a mãe e perguntar como ela cuida do cabelo da filha dela. Porém a menina estava bem cansada e entediada, estava calor e a mãe colocou ela de casaco e bota, essas coisas de mãe mesmo, a menina já estava ficando irritada, mas na hora de descer do trem a menina fez uma leve pirraça não querendo levantar do banco. A mãe estava cheia de bolsa e disse (como muitas na mesma situação) “Vou te deixar ai heim” e a menina levantou e foi atrás da mãe ainda fazendo pirraça, chorando e batendo o pé.

Essa cena é super natural. Seu filho pode ser o mais santo que for, um dia ele vai dar um piti na rua. Lívia, minha filha, é uma menina completamente levada, ela sobe nas coisas, corre, grita...ou melhor dizendo, Lívia é uma criança livre, porém na rua, o cenário fora de casa, acho que ainda a intimida um pouco, e ela fica muito na dela, ela se torna uma criança tímida. O que eu acho engraçado disso é que as pessoas me elogiam. “Nossa Silvia como a Lívia se comporta que nem uma mocinha”...Aiii que raiva. Primeiro que ninguém tem que me elogiar de nada, ela é o que ela é, eu não posso forçar ela a fazer nada. Minha obrigação e ensiná-la a tratar bem as pessoas, usar as palavras mágicas, cuidar para ela não se ferir e machucar, nem ela nem os outros e ensinar as outras pequenas coisas da vida. Estou criando uma criança ,não um robô. Ela chora, ri, cai, levanta e tudo mais de uma criança como as outras.

Segundo fato é : O que é pra você se comportar como uma mocinha? Porque as meninas tem que ser quietas, quase mudas, obedientes e resignadas? Sim meus queridos, sim, é o machismo querendo doutrinar que nós temos que ficar no nosso lugar, ser discretas, tímidas, quase imperceptíveis. Minha filha não tem que se comportar como uma mocinha, minha filha não se comporta como um moleque.Minha filha se comporta como ela é, ela se comporta como Lívia.

Voltando a cena acima. Quando a mãe saiu do trem todos começaram a cochichar coisas do tipo “Ai não acho graça de criança malcriada”, “Se fosse meu filho não faria isso”, “Dava logo uns tapas”. Ai eu pensei “Oi?”. Cara francamente, nem foi um escândalo imenso , não foi nada anormal, eu passo isso com a Lívia sempre voltando do mercadinho. Mesmo que fosse. Minha vontade era de gritar “ VÃO SE FUDER VOCES.ELA SÓ É CRIANÇA”. Outras mulheres estavam criticando a mãe. Gente … vocês não sabem como é difícil ser mãe não?Vai me dizer que vocês nunca passaram por uma situação como essa? Gente...essa atitude que vocês estão fazendo só ajudam a perpetuar a ideia que o machismo que impor para nós, de que lugar de mulher é dentro de casa cuidando dos filhos. Desse comentário não sai nada de bom.

Eu estava conversando isso outro dia com a Karoline do blog “Uma mãe feminista” ( Devo dizer que de todas as pessoas que eu conheci através do feminismo, a Karoline foi a mais alma gêmea , temos tanto em comum ). Ela passou uma situação parecida quando foi levar o filho dela para assistir Dolly e na mesma hora me identifiquei, por que eu quero levar a Lívia ao cinema, só que ela nunca foi antes, e por ser muito agitada, tinha medo dela tocar o terror.Ai para e pensa. Eu estava com medo de levar uma criança, para assistir um filme de criança,com medo dela se comportar como criança.Fato que quando eu receber vamos sim ao cinema. Vai ter mãe na rua sim.

A verdade mãe é que nós temos que travar uma luta diária com nós mesma e com a sociedade todo dia para sair (ou não) de casa.Nós mães e mulheres temos que lutar todo dia simplesmente para ter o direito de viver e criar nossos filhos com liberdade. Então vamos fazer um pacto com nós mesmas?Antes de julgar qualquer mãe na rua,vamos nos colocar no lugar delas por favor? Obrigadinha.
Beijos mães.

Até.

08 junho 2016

Machista aqui não tem vez.


Meninas voltei.
Sim eu demoro pra postar, dessa vez não por falta de idéias,mas porque essa semana foi meio corrida e quando escrevo preciso de tempo para elaborar uma parada legal e quem é mãe sabe como tempo se torna algo tão relativo.
Na verdade eu ia fazer um texto sobre a minha segunda gestação, minha experiência na maternidade e a minha nova visão de como ser mãe de novo e de um menino,mas ontem eu ouvi uns relatos que me fizeram mudar o tema e deixar esse para depois.

Eu estou fazendo ou farei, assim que a greve acabar, pedagogia na UERJ. É um curso ótimo e nem comecei,mas já encontrei meninas ótimas, faço parte do grupo de Mulheres da Pedagogia e coletivo Carolinas, todos maravilhosos.Infelizmente ainda não pude ir em nenhuma reunião, afinal, o dinheiro ta pouco e to economizando para ir nas entrevistas de emprego. Mas mesmo a distancia, nós conversamos todos os dias,afinal é pela troca de experiencias que conseguimos nos empoderar,desconstruir, com base nas nossas vidas e das vidas de nossas irmãs que aprendemos mais sobre o feminismo e a nossa luta. Bom, uma de nossas amigas desabafou que no grupo do whatszap dos calourxs de pedagogia estava acontecendo piadas machistas. Acreditem, um curso, onde a maioria é mulher, uma universidade que tem um histórico de luta e em um curso que trata de educação, essas coisas acontecem. Como se já não fosse desagradável por si só, uma das coisas que o Bolsomito disse (só podia né?) é que “Mulher solteira não é guerreira, guerreira é a sua mãe que banca você e seu filho”. SIM ISSO ACONTECEU e com essas palavras. Essa pessoa que talvez dê aula para varias crianças, que vai lidar com várias mães solteiras, diz essa merda(desculpem o palavrão,mas não deu) Logo em um curso que no dia da matricula tinha umas 3 meninas com suas mães que foram, pois elas levaram seus filhos. Isso me doeu, me doeu mesmo.Esse machistinha não sabe de todo o sacrifício que todas nós fazemos para estudar, agora para uma mãe solteira é o triplo de dificuldade.

Primeiro que as mães solteiras tem que lidar com pessoas como ele que nunca passaram por nenhuma situação nem parecida com a de cuidar de um filho, mas acha que sabe de tudo e se acha no direito de criticar.

Segundo é que se as universidades oferecessem creche ou desconto em creches não teríamos que recorrer da ajuda das avós,tias e etc. Sabe como é difícil sair de casa e deixar nossos filhos? Sabe como eles e nós nos sentimos? Claro que essa pessoa encefala não sabe. Nós nos sentimos péssimas, incompletas ,culpadas, como se uma parte de você ficasse em casa,como se você fosse só uma casca vazia andando pela rua. Na primeira vez que dexei minha filha em casa para ir em uma entrevista eu fui chorando o tempo todo. Foi horrível. Mas é necessário.

A maioria das mães, principalmente as solteiras não conseguem fazer ou se manter na universidade. Temos que trabalhar para manter nossos filhos e nos manter, tem que ter com quem deixar as nossas crias, tem que ter dinheiro para bancar os estudos e ainda tem que ter tempo para brincar e estudar. Difícil né?

Sortuda as que tem uma vovó presente que pode ajudar. Sim essas avós também são guerreiras, ainda mais porque muitas pegaram uma fase de um machismo muito mais opressor (não que ainda não seja, ou que agora ta facil ser mulher). Mas nunca diga que as mães não são guerreiras, principalmente as solteiras. Quem não é guerreiro é esse pai que não assumiu a sua responsabilidade, ridículo é esse pai que se omite, por isso que essa mãe tem que pedir ajuda da vovó da criança.
Guerreiras sim, as duas, por se apoiarem sempre, e por mesmo com essa sociedade ridícula e com todos as dificuldades que vem com ela. Nós continuamos lutando por nossos sonhos e para criar nossos filhos da melhor maneira possível.

Você deveria sentir vergonha, moço por dizer essas asneiras. Para piorar ainda disse : “mulher defende o aborto,mas acusa o pai que aborta”. Pera ai What? Pobres homens...vocês não abortam, queridinho vocês fogem das suas responsabilidades.

Na verdade isso é mais uma tentativa dos homens de nos prender, de dizer que nosso lugar é em casa, de nos tirar da vida pública e de julgar sempre algo que ele não entende,não participa, não sabe como é, que nesse caso, é a relação de uma mãe com sua filha e com os filhos das suas crias Só digo que : NÃO VAI ADIANTAR FOFINHO. Nós vamos estar nas universidades sim,nas escolas, nas empresas, na politica, na rua e em todo lugar. Porque o mundo inteiro é nosso, nos pertence tanto quanto pertence a você, então não vem me humilhar,não vem desmerecer a minha luta, não vem falar da minha vida, não vem deslegitimar o meu lugar, porque aqui eu vou ficar sim.

Eu amo todas vocês que não se rendem, que continuam na busca diárias pelos seus sonhos, que criam seus filhos com todas as dificuldades. Minha mãe e minha avó me criaram sozinhas e sim elas são muito guerreiras.

Só um desabafo. Espero que isso não desmotive vocês mães que leiam isso,nem todos que estão dentro da universidade são assim. Pelo contrário, isso só tem que fazer vocês se aventurarem mais e ocuparem o espaço que é de vocês por direito. Nós não lutamos só por nós, lutamos também por nossas irmãs,por aquelas que vieram antes de nós, pelas que ainda vão vir e por nossas crias.

O fim de tudo isso foi que o nosso grupo fez uma postagem expondo o caso e os abusados, que todas as mulheres, em uma forma de protesto, se excluíram do grupo (muitos homens também) e no fim das contas um veio pedindo desculpa para uma irmã nossa ( que deu um passa fora nele, afinal ele tem que se retratar para com todas as mulheres e em público, no mínimo) e outro disse que vai sair do curso.

( Tiveram coisas ainda piores como video no xvideos no dia das mulheres...acreditem horrível)

Estamos juntas e de olho.
Beijos e att meninas.

P.S. Conte aqui nos comentários se alguma de vocês já passaram por alguma situação parecida no trabalho ou na universidade ou em qualquer lugar. Responderei a todas. Ahh e curtam a pagina do blog (ta ai do lado), lá tem matéria quase todo dia OK? Só isso e bye.

03 junho 2016

Apresentação e recomeço



Ola moças …
Muito prazer gente eu sou Silvia, tenho 24 anos, sou uma geminiana que nasceu dia 17/06/1991,sou universitária de pedagogia e sou mãe de uma menina de 2 anos e um menino de 7 meses. Sim uma loucura ...kkkk eu sei. Não é fácil cuidar deles, ambos são bem sapecas e precisam muito da minha atenção. Depois que eu me vi sendo mãe, ainda mais de uma menina, eu me engajei ainda mais na ideologia feminista. Eu pude sentir na pele como a sociedade é injusta conosco, como os homens podem se omitir da rotina dos filhos que a sociedade acha normal, e como é cobrado de nós uma perfeição inalcançável ( temos que cuidar da casa,filhos e continuarmos lindas e felizes). Percebi que o que eu sabia sobre maternidade estava completamente errado, que um cenário de puro caos para alguns pode ser completamente relaxante para nós, enquanto uma ação natural, como sair de casa, pode nos causar medo, angústia e milhões de estresses. Isso tudo é sério e verdadeiro,mas o que me fez me atrelar ainda mais ao feminismo foi o medo. Sim o medo de ser violentada só por ousar sair de casa, ou pior, disso ( não consigo nem dizer) acontecer com a minha filha. Não quero que ela viva com esse medo, quero um mundo melhor para ela e para todas nós.

 Convivendo mais com o feminismo descobri tantas coisas boas, tantas amizades e união, mas também percebi que o aspecto materno e as dificuldades e medos que as mães sofrem ainda não é muito explorado, principalmente as mães negras e pobres. Participo de vários grupos e percebo que a luta para que nós,mães, conseguirmos unir filhos, estudo e trabalho é muitoooo complicado. E ainda tem a questão do homem e do relacionamento que temos com o pai dos nossos filhos que muitas vezes pode ser nosso marido ou não. Como fica o relacionamento? Por esses e outros motivos que decidir retornar a vida do meu blog, mas com novo conteúdo e nova ropagem.
Pretendo falar de tudo que me cerca, mostrar ao mundo as minhas idéias e minha rotina de mãe que luta para criar os filhos numa perspectiva de vida mais humana e ao mesmo tempo corre para conseguir se formar e seguir a vida dentro de sala de aula, transformando a mente dos jovens de amanhã para que a nossa luta continue a cada dia mais forte e que a cada dia se consiga mais uma vitória contra essa sociedade patriarcal opressora. (Nossa esse discurso ficou meio breguinha. Mas fazer o que? É a verdade mesmo)

 Alem de tudo isso sou uma mulher extremamente curiosa e que adora ler e pesquisar. Pretendo compartilhar com vocês todos os meus trabalhos, textos, documentários , vídeos  e livros que assisto e leio, principalmente sobre questões sócias e de educação (Porque será?...kkk) para que possamos trocar umas idéias para aprendermos mais, para que possamos nos engajar mais e empoderar. Meu objetivo e fazer tudo isso sem também perder o bom humor e aproveitar para apresentar alguns contos que eu escrevo.  Outros temas como músicas, saúde e filmes também estão dentro.

Bom pra começo de conversa acho que esta bom não é???
O que acham? Exagerei? Kkk sempre kkkk e vocês quem são? Qual o sonho de vocês ? Como conheceram o feminismo? Como acha que o machismo afeta a vida de vocês e dos seus filhos? Tem alguma ideia de post? Vamos comentem quero conhecer mais sobre vocês
Beijos



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