31 março 2017

Solidão Materna.

Imagem relacionada 

 Acho que somente com a frase anterior milhões de mães já se identificaram. Não eu não vou falar de mães que são solteiras, porque essa solidão materna não afeta somente mães solteiras, isso afeta a todas nós. Isso acontece somente porque o machismo criou essa ilusão que somente as mulheres são responsáveis pelo cuidados infantis. Isso é facilmente comprovado quando analisamos uma escola infantil ou uma creche, percebemos que todos os funcionários, ou todas as professoras e auxiliares são do sexo feminino. Também podemos perceber quando analisamos a enfermaria pediátrica de um hospital, na verdade enfermeiras em geral a grande maioria são do sexo feminino, pois a tarefa de cuidar de alguém é sempre dada a mulher. Quando falamos de maternidade parece que somos a ÚNICA responsável e quando somos questionadas sempre ouvimos respostas como “Mas eu não sei, eu não tenho jeito para isso, eu nunca fiz isso, ele gosta mais de você ” O que eu me impressiono sempre é que nós antes de ser mãe, nós também não fazemos ideia de como cuidar de uma criança, uma criança é um ser novo para o pai e para a mãe. Os dois não sabem como vai ser essa experiência até acontecer e como os dois NÃO SABEM os dois tem que simplesmente APRENDER.

Quando uma criança nasce, nós não sabemos nos comunicar com ela, é somente com a convivência que vamos conhecendo aquele novo ser e aquele novo ser vai nos conhecendo e juntos vamos aprendendo e ensinando (não pense que só você que ensina os filhos, nós também aprendemos muito com eles).

 Porém cabe a nós toda a luta de criar um filho, não somente temos que dar banho, trocar fraldas, vestir, dar de comer, brincar e ensinar. A nós é dada a obrigação de criar e nos é tirada a nossa identidade de pessoa e mulher. Quando um homem sai ninguém pergunta com quem ele deixou o filho, ou onde esta o filho dele, muitas vezes nem perguntam da criança. Nós não podemos continuar em ter uma vida nossa sem os filhos. Outro dia a minha amiga me contou que a cunhada dela deixou o filho com a sogra e o cunhado porque ela não tinha tempo, já que a mesma ainda estava trabalhando e estudando, ela ajuda , paga uma pensão, vai a reuniões de escola e pega ele fim de semana sim e fim de semana não. Quando outras pessoas ouviram isso falaram logo que ela é uma mãe desnaturada. Eu quase surtei, disse que é isso que os pais fazem, ela sabe que ele é mais bem cuidado com a sogra e todo o tempo livre ela dedica para o filho, muito mais dedicada que muito pai por ai, até do que o próprio pai que mora coma  criança,mas não dar banho,nem comida,nem leva a médico, quem faz tudo é a avó.

 Nós temos medos, nós nos frustramos, nós também pensamos em desistir de tudo, nós sempre achamos que não vamos dar contas, nós mesmas já nos julgamos muito. Tudo que a gente precisa é de alguém que realmente ajude, alguém que divida as dificuldades com você, alguém que fala que te entende, que troque um pouco de lugar com você, de alguém que te escute e cuide de você, pois adivinhem...txam txam MÃES TAMBÉM FICAM DOENTES.

 Pior é que ninguém cuida da mãe, ninguém ouve as dores da mãe, parece que não podemos ficar doente, que qualquer dor, melancolia ou cansaço é futilidade. A mulher tem que ser a cuidadora de todos e ninguém cuida de nós. Quem nunca ouviu que homem não aguenta uma dorzinha que já parece que vai morrer, eles podem fazer isso, porque tem sempre uma mulher para parar a vida para cuidar dele, nós não temos isso. Nós somos criadas para ter antipatia umas pelas outras, e esse estigma que temos que ser fortes sempre faz nossas mães exigirem isso de nós, também porque a mulher sabe o que sua filha vai passar e a educa com a rigidez que o machismo exige de nós.
 O abandono da mãe começa assim que ela vai entrar em trabalho de parto,onde fala que ela não pode gritar, não pode fazer escândalo, que nós temos que nos “comportar”, como sempre,nós que temos que nos comportar. A dor de um parto segundo alguns cientista equivale a dor de ser queimado vivo, você até pode pedir para outro paciente qualquer se acalmar,mas nunca pedir para “ Cala a Boca” “Na hora de fazer foi bom agora aguenta” “deixa de fazer escândalo”. Hoje , em pleno 2017 o que ainda mais mata as mulheres segundo a ONU ainda é parto.É um momento que você esta tensa, com medo por você e por seu filho. Na verdade começa antes quando o pai ou o médico impede a mulher de ter o parto que ela deseja desde que a mesma não apresente nenhum problema de saúde.






Para mães que estão solteiras e para mulheres periféricas o quadro ainda é mais grave, o desprezo afeta até a busca por emprego, o julgamento é por não ter dinheiro e por não ter “segurado” o marido, como se ser casada fosse mérito.Ser mãe solteira é difícil simplesmente por causa da ideia do machismo de que mulher além dos filhos também precisa cuidar do homem, do marido e se ela não cuida bem dele ela o perde. Ninguém pensa que foi a mulher que termina, ou quando faz essa hipótese tem gente que fala que é porque a mulher quer viver na farra, que é vadia e tudo mais.
 Esse é o quadro, e a única solução que eu vejo esta na nossa união, na defesa de outras irmãs, na nossa luta diária. Nós temos que cuidar umas das outras e temos que lutar para que nossas crias cresçam com essa mentalidade de que somos donas dos nossos corpos e que tanto homens e mulheres são responsáveis por TUDO na educação dos filhos.

 Entrem em coletivos, ajudem as suas irmãs e amigas que tem filhos, faça reuniões no seu coletivo que as mães possam levar as crianças e que as crianças possam fazer parte. E PRINCIPALMENTE nem todas nascemos desconstruídas, todas estamos em desconstrução, todas precisam de ajudas. 

05 março 2017

Carnaval é para curtir com todo mundo e amamentando mesmo.


              *campanha de 2014 defendendo a amamentação em público.


 

Ola Mamães,

Mesmo estando sumida,não achem que esqueci desse espaço não.Eu amo esse espaço, é onde eu coloco mais claramente todos os meus pensamentos sobre maternidade, feminismo e politica. Então não pretendo abandonar esse espaço nunca.

Essa semana tem andado meio movimentada.Carnaval não é mesmo? Eu não sei vocês,mas eu amo carnaval, infelizmente, apesar de conseguir os 4 dias em casa eu só curti um dia de bloquinho. Aproveitei para descansar, e como no meu caso são dois filhotes e ambos pequenos, como também não tenho carro e Jonas ODEIA calor, como também não conseguimos ninguém para ficar com as crianças, preferimos só curtir um bloco bem tranquilo com alguns amigos. Mesmo assim Jojo não gostou, ao contrário de Lívia que amou, se esbaldou, ficou toda enfestada de confete.

Quis fazer esse relato somente pra ilustrar algo que vou falar mais posteriormente. Porém o que eu quero deixar claro que nossos filhos também tem vontades, mesmo sendo pequenos eles entendem o que esta ao seu redor, já tem personalidade e isso tem que ser respeitado. A ideia é tão absurda?Dizer que eles também são pessoas, tem vontades e tem que ser respeitados como indivíduos? Minha Lívia gosta de Carnaval, também pode ser por efeito de que nós gostamos, porém Jonas não gosta.

Entre os aspectos de respeitar a criança entra em entender que o espaço público também pertencem a elas.Obviamente as mesmas não podem entrar em um cinema que tenha limite de idade, porém eu posso sair com os meus filhos para curtir um carnaval. Primeiramente o espaço é público, segundo que o Carnaval é uma manifestação cultural e religiosa, uma festa que comemora a alegria, onde as pessoas se fantasiam, dançam e cantam pelas ruas, quer algo mais próximo do universo infantil da imaginação do que o Carnaval?

Eu odeio o discurso que segregam as crianças e suas mães, sim segregam, pois você priva a criança em conviver em sociedade, em ter lazer. Ir ao cinema, ir a uma lanchonete ou um restaurante entre outros lugares deveria fazer parte do universo de todas as crianças também, porque isso deveria fazer parte de todos. Nós criamos os nossos filhos para o mundo. Nós criamos os nossos filhos para viver em sociedade, para isso ele tem que conviver e circular nos meios públicos e saber como deve agir em cada local, para isso ele vai aprender fazendo.Esse discurso esta totalmente ligado com o machismo, porque você não vai excluir somente a criança,mas também você vai excluir a mãe da vida pública. Já que é sempre a mãe que tem que ser responsável pela segurança e criação

dos filhos, justamente ela que tem que ficar em casa para cuidar deles. Só que se espantem sociedade mães também tem vida social e seus filhos também.

Porque abordei esse assunto. No Carnaval o fotógrafo PH de Noronha tirou uma foto de uma mulher com seu filho(a) no Carnaval, onde a mesma carregava seu bebê em um sling e o mesmo estava amamentando (imagem abaixo).



A imagem em mim causou um furor de alegria, pois também curti o carnaval com Lívia e Jonas e sai também com Lívia bem pequena (menor que o bebe da foto).Me identifiquei de cara com o bebê e a mãe foliões. Porém muitas mulheres e homens não concordaram com a minha opinião, e conseguiram fazer comentários mais que machistas e segregadores. Mulheres alegaram que o peito dela estaria sujo, que na rua o neném ia pegar várias doenças, que a criança ainda era muito pequena (na foto nem é, Lívia saiu com 3 meses no seu primeiro carnaval e não morreu, tomamos o cuidado de passar filtro solar e mamou muito mesmo, antes,pós e durante a festa)chamaram ela de irresponsável e tudo mais. PESSOAS PAREM. Deixa de serem ridículas, curtam a maravilha que é a vida e toda a liberdade que tem nessa foto, onde uma mulher foi curti a alegria de estar viva, com seu filho e com toda a liberdade que cabe aos dois, a mesma colocou o peito para fora e deu todo amor e alimento que a cria precisa. Eu achei essa mulher linda, independente, poderosa. Parem de esse julgamento excessivo com as mães, quem vive com a criança somos nós, e como a grande maioria lida sozinha com a criação dos filhos, então parem de se meter. Entendam, nós vamos criar os nossos filhos segundo a nossa ideologia, nossas vivencias e nossa cultura e religião. Então meus amores vão cuidar das crias de vocês. Se você acha que carnaval não é lugar de criança, não leve seus filhos e cada um segue vivendo. Agora se você acha que mães não devem dar de mamar em local público, fique sabendo que até o Papa Francisco orientou em uma missa que as mães dessem de
mamar para os seus rebentos para que a missa prosseguisse naturalmente ( quem nunca viu uma imagem da Virgem Maria amamentando o menino Jesus?) , mas na verdade se você acha realmente que não podemos amamentar em público eu oriento mesmo que você cale sua bokita e não saia nunca de casa, nós mães agradecemos por menos um idiota na rua.


Atenciosamente,

Siga nossa página Materna e Feminista e comente, amo ouvir o relatos de todas as mães.

Obrigada
 

Você pode gostar de:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...